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COMPAGNIA MISSIONARIA
DEL SACRO CUORE
una vita nel cuore del mondo al servizio del Regno...
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UM NOVO ESTILO DE VIDA PARA SER HOJE SINAL E PROFECIA
Posted by Annamaria Berta
Ao P. Albino
Às Missionárias
Aos Familiares


Caríssimas/os
Passaram-se alguns meses depois da nossa Assembleia e a celebração do Jubileu da CM. Estamos na fase do “depois”…depois do 50º aniversário…depois… da Assembleia…depois…
Este tempo do “depois” está carregado de grandes expectativas e é bom que seja assim, pois, de outro modo arrisca-se a deixar cair, ou pior, esquecer os estímulos que resultam deste acontecimento. O depois da Assembleia deve-se traduzir em “agora” e o caminho que estamos a percorrer é precisamente este “agora”.

Com o material elaborado na preparação para a Assembleia, o trabalho actual dos grupos e com o que emergiu da própria Assembleia, tentou responder-se ao agora que nos é colocado como imperativo.
Escolhemos como título desta carta:

UM NOVO ESTILO DE VIDA,
PARA SER HOJE SINAL E PROFECIA

Parece-nos que o título exprime já o nosso objectivo. Um novo estilo de vida que nasce de uma experiência consolidada, mas que tem sempre necessidade de actualização. Procurar um novo estilo de vida porque chamadas/os a confrontar-nos com as mudanças do mundo que evolui rapidamente. Novo estilo não tanto pelo gosto de novidade, mas porque chamadas a retraduzir e repropor neste tempo os valores evangélicos imutáveis. A Francisca num dos seus artigos escrevia assim: “…conscientes dos grandes dons que recebemos, devemos saber aceitar a fadiga de os traduzir em ' língua e dialecto locais ' : a nossa espiritualidade e a riqueza da vida consagrada que nos foram dadas pelos outros e depois são 'reditas' de acordo com a língua e com o vocabulário de hoje…”.

Este novo estilo de vida para redizer, com novas linguagens, a verdade de sempre, com a sabedoria de saber valorizar o antigo e o novo: “Por isso todo o doutor da Lei instruído acerca do Reino do Céu é semelhante a um pai de família que tira coisas novas e coisas velhas do seu tesouro” (Mt 13,52). Para trabalhar sabiamente e para harmonizar o antigo e o novo é necessário ir à raiz da nossa identidade. Uma identidade que redescobrimos na espiritualidade, na secularidade e na missão. Somente assim conseguiremos encontrar caminhos para um novo estilo de vida e ser sinal e profecia hoje.

Alargar a tenda
Propomo-vos dois textos bíblicos que nos podem ajudar nesta procura. O primeiro encontramo-lo em Isaías 54,2 e o segundo no Livro de Rute. Começamos pelo de Isaías onde podemos colher um sugestivo convite para nos abrirmo-nos ao novo:
“Alarga o espaço da tua tenda, estende sem medo as lonas que te abriguem e estica as tuas cordas, fixa bem as tuas estacas”.

Isaías convida-nos a dar espaço, a alargar a tenda sem medida, a esticar as cordas e a fixar bem as estacas. Duas acções importantes. Juntar as lonas e as cordas e fixar as estacas. A tenda não se pode alargar se não se tem cordas ou lonas para juntar e não permanece sólida e segura se não há estacas bem firmes. Isaías indica-nos o espírito correcto. Apela para não nos fecharmos mas para alargarmos a nossa tenda, o nosso coração e a nossa mente; e convida-nos a reforçar o que desde sempre dá solidez ao nosso caminho.

Abertura e mudança para responder aos desafios que o mundo lança continuamente, para ser sinal e profecia. Com a prudência e a sabedoria de nunca perder de vista a “solidez das estacas” que vemos na clareza da nossa identidade. Abertura e solidez, capacidade de olhar para o novo e pés bem assentes na terra. Portanto fidelidade à história, mas necessariamente devemos viver uma fidelidade também em relação ao futuro que passa e se desenha na concretização do presente.

Partir de novo e voltar a projectar-se
O outro ícone é o da Rute e de Noémi. Duas mulheres que nos podem ajudar neste caminho. Uma idosa e uma jovem que, com coragem, partem de novo, numa pobreza extrema, são viúvas e sem filhos. Regressam a Belém, às raízes, ao antigo. Estão na desolação. Noémi dirá às outras mulheres “Chamai-me Mara porque grande é a minha amargura”. Devem mover-se da precariedade concreta que estão a viver, precisamente dela tiveram a coragem de partir de novo; a coragem de voltar a projectar-se juntas, unindo a sabedoria da anciã Noémi e a força e a audácia da jovem Rute. É necessária a audácia de ambas para percorrer o sulco do velho e projectar caminhos novos. Uma audácia tornada necessária pela contingência, mas os olhos de ambas souberam ver o novo que estava a nascer, embora na precariedade.

Também nós podemos partir de novo e projectar-nos novamente, valorizando todas as forças e as potencialidades que cada uma traz consigo para redescobrir em conjunto um novo estilo de vida que nos leve a ser hoje sinal e profecia. Entregámos à história 50 anos de vida da CM; agora somos chamadas a construir com a coragem de abandonar (como fizeram a Rute e a Noémi) aquilo que não é essencial e torna pesado o caminho pessoal e de Instituto. Temos necessidade de um verdadeiro caminho de reconciliação e de renovamento.

Com este espírito enfrentemos este tempo que será fecundo na medida em que cada uma/um põe a sua parte e se torna, como protagonista, construtora/construtor da nossa família CM.

Algumas perguntas podem ajudar-nos ao longo deste percurso e podem exprimir o que pretendemos com esta carta programática:

De que coisa tem necessidade, hoje, a nossa família para melhor viver e incarnar o que nos é específico? Qual é a vontade de Deus sobre toda a CM?

Para responder a estas perguntas somos chamadas a percorrer de novo o caminho da nossa vida e vocação através da espiritualidade, da secularidade consagrada e da missão.

1- EM CAMINHO PARA O “NÓS” CM
Relendo as respostas dos grupos sobressai com muita força a importância que tem para nós a nossa espiritualidade; compreende-se que estamos profundamente convencidas da validade e do significado que esta pode ter para o mundo na medida em que responde às suas expectativas mais profundas e nos ajuda a viver de modo específico e qualificante o nosso testemunho (cf. RdV 6).

Será, pois, partindo da espiritualidade que conseguiremos encontrar caminhos para viver em plenitude a nossa vocação. Uma vocação que requer cada vez mais actualização, estudo, oração para que se torne “carne” em nós.
Falar portanto da espiritualidade significa olhar para o que qualifica toda a nossa existência. De facto a espiritualidade ajuda-nos a conjugar continuamente o nosso ser e o nosso agir. A clareza da minha identidade, do meu ser põe-me imediatamente num agir qualificado. Somente assim conseguiremos entrelaçar a nossa espiritualidade na rede complexa e, por vezes, contraditória da realidade que nos rodeia.

Esta espiritualidade não é o lugar onde encontro “quietude e pacificação”, mas torna-se para nós o lugar da sã inquietude, porque é uma espiritualidade incarnada que me remete continuamente para o hoje, para o aqui e agora; convida-nos para uma contínua revisão pessoal e de instituto; estimula-nos continuamente a fazer escolhas e convida-nos a abandonar tudo aquilo que não nos torne sinal e testemunho; põe-nos numa procura contínua do nosso “lugar teológico” (Paulo VI) não só para levar Deus à humanidade mas para encontrá-lO no seu mistério da incarnação.

Para viver tudo isto é necessário deixar-se educar pelo Espírito, como nos recorda o nº 9 do nosso Estatuto: “ajudadas eficazmente pelo Espírito Santo que educa o coração dos homens e o mantém novo no amor…”. Ora, deixarmo-nos educar significa obedecer ao Espírito e caminhar “segundo o Espírito…”como nos recorda São Paulo (Gal 5,16).

Somos então chamadas/os a incarnar a nossa espiritualidade. Mas o que significa propriamente isto? Significa antes de mais fazer tornar o Ecce venio e o Ecce Ancilla centro e estilo de vida (cf. RdV 7). Significa, pois, fazer o caminho do êxodo, isto é, de despojamento, de purificação e de abandono. E este caminho é feito não só de modo pessoal, mas também como Instituto. É importante que sejamos capazes de dizer e de compreender o que significa dizer: “Eccomi…”, “Ecce venio” tendo como conteúdo toda a Companhia Missionária.

Muitas vezes somos verdadeiramente capazes e generosas/os em dizer o nosso pessoal “ecce venio” mesmo em situações muito difíceis. Custa mais dizer o Ecce venio como CM. Mas não se pode ser uma oblação sem a outra. O ecce venio dito como Instituto une-nos inseparavelmente à nossa oferta pessoal.

O ecce venio do Instituto chama-nos para uma procura feita em conjunto; ora nem sempre as escolhas feitas estão de acordo com a nossa sensibilidade e a nossa visão. Esta procura chama-nos a um “NÓS” CM e pede-nos que acolhamos o caminho feito; que nos reconciliemos com o passado; que reconheçamos e acompanhemos as mudanças que se realizaram; que sintamos, na própria pele, todas as expressões e as realidades da CM de hoje. Acolhê-las tais quais são mesmo que não partilhemos plenamente, procurando colher o positivo e a beleza de uma diversidade. Um “NÓS” CM que nos compromete a um projectar-se de novo continuamente.

Olhemos ainda para Rute e Noémi. Rute, a moabita, a estrangeira, faz uma profissão de fé forte. Declara a Noémi que o Deus de Israel será também o seu Deus. Mas Rute tem uma experiência de um Deus de falência. A família de Noémi não foi protegida pelo seu Deus, deixa a sua terra pela fome. Noémi fica viúva e morrem também os filhos sem deixar descendência. Regressa a Belém com as mãos vazias, com um seio estéril e com uma nora estrangeira. Rute por amor à sogra inicia, juntamente com ela, um novo caminho. É desta situação limite que nascerá o novo que brota do amor de Deus e será um projecto que abraçará quer a jovem Rute quer a anciã Noémi. Quando nasce o filho de Rute este é posto sobre os joelhos de Noémi e as mulheres dizem: “nasceu um filho a Noémi”. Cremos ver um “NÓS” realizado nas vicissitudes destas mulheres. Elas formam uma única realidade: a alegria de uma é a alegria da outra, o que uma realiza é o orgulho para a outra.

O caminho feito juntos é vital e fecundo para todos. Na comunhão e na procura em conjunto podemos realizar mudanças significativas na óptica do “NÓS” CM.

Como e onde iniciar este caminho? Pensamos que o primeiro passo é o grupo de pertença. É necessário voltar a partir dos grupos.
“As missionárias são constituídas em grupos abertos a todas as três modalidades de vida sem qualquer distinção. No grupo elas têm a possibilidade de viver juntas momentos de oração, fraternidade, verificação, formação, partilha” (Est. 21)

Olhemos em conjunto estas palavras do nosso Estatuto.

Oração
O nº 64 do Estatuto fala da oração como “mistério vital”. Este mistério de vida que nos vem da oração todas fazemos experiência disso mas como CM somos chamadas também a ter momentos em conjunto. É necessário requalificar os momentos de oração vividos juntas. Em particular o retiro mensal, que ele seja um lugar de verdadeira experiência de Deus que revitaliza o grupo e cada elemento, porque juntos nos confrontamos com a Palavra e nos encontramos à volta da Eucaristia. Uma oração que nos abre umas às outras e ao mundo para compreender como nos colocarmos nas realidades a que somos chamadas.

A experiência da oração feita em conjunto ajuda-nos a manter-nos em comunhão habitual com Cristo como diz o nº 67 do Estatuto: “Mesmo que imersas numa intensa actividade, deveremos saber encontrar espaços e tempos suficientes de oração que nos ajudem a permanecer numa disposição habitual de comunhão com Cristo, de modo que nos envolva e nos penetre o seu mistério de amor e de oblação”.
Madeleine Delbrêl falando da oração vivida nos compromissos quotidianos diz: “a vida é cheia de pequenos vazios que a oração pode transformar em profundas nascentes”. Esta é uma preciosa sugestão mas que não se pode improvisar, nasce de uma intensa oração pessoal e de grupo.

O nosso reencontrar-se deveria educar-nos a isto. Redescubramos o sentido da adoração como acto público feito em nome e pela Igreja (RdV 62) e como diz o P. Dehon: “Levar o mundo a Cristo na adoração! Levar Cristo ao mundo no apostolado”.

Fraternidade
É uma dimensão a que devemos olhar com atenção. É necessário recuperar o sentido profundo da fraternidade. Somos família de fé, unida por um ideal de consagração, partilhando a mesma espiritualidade. Não é o sangue que nos liga mas a pessoa de Jesus e o desejo de O seguir no dom total. O nosso reencontro deveria ser o lugar privilegiado para viver o que nos diz o salmo 132: “Vede como é bom e agradável que os irmãos vivam unidos! É ali que o Senhor dá a sua bênção, a vida para sempre”. Mas este estar bem entre nós não nos deve fechar, mas abrir, estimular, encorajar para a missão a que cada uma é chamada. Reencontrar e reviver o ícone de Betânia, não só para quem vem de fora, mas também entre nós. Podemos transmitir o clima de Betânia se, em primeiro lugar, nos empenhamos a vivê-lo entre nós. O grupo torna-se assim o lugar onde nos educamos constantemente nas relações. Lázaro, Marta e Maria viviam entre eles aquilo que depois ofereciam ao amigo Jesus. Recuperemos também nós algumas delicadezas que esquecemos e tratemo-nos com respeito. Dar o bom exemplo não passou de moda. Edifiquemo-nos na caridade, umas às outras. Olhemo-nos com olhos novos.

Verificação
Ao grupo nunca deve faltar a “coragem” da verificação. Significa olhar com honestidade a própria situação pessoal e de grupo. A verificação deve ter como objectivo o crescimento pessoal e o do grupo. Esta verificação é necessária não apenas para as coisas que se fazem, mas essencialmente COMO incarnamos a nossa espiritualidade no quotidiano.

Uma palavra também para a verificação pessoal. Referimos o que foi escrito no relatório final da última Assembleia: “Sublinhou-se e reforçou-se a importância da verificação como meio que ajuda a viver a nossa consagração de acordo com a nossa especificidade. No entanto a experiência diz que, neste aspecto, devemos ainda caminhar muito porque acontece que nem todas as missionárias fazem o confronto ou julgam necessário este meio para o seu crescimento. É importante recordar que a praxis da verificação não é considerada facultativa, mas entra nos deveres que dizem respeito à nossa consagração na Companhia Missionária. O Estatuto e o RdV traçam muito claramente e concretamente as modalidades e os conteúdos”. (Actas VII Ass. P.44).

Parece-nos poder afirmar que sem verificação se trava o impulso missionário e o espírito de comunhão. A coragem da verificação ajuda-nos a não nos fecharmos e a não cair em personalismos que não nos fazem crescer. Além disso esta coragem põe-nos sempre numa atitude de abertura à mudança para revitalizar o nosso ser na CM.

Formação
Sempre na CM deu-se muita importância à formação a todos os níveis. Mantenhamo-nos nesta convicção que temos sempre necessidade de crescer e precisamos de formação contínua.

O Instituto oferece uma dinâmica formativa a nível geral; mas também o grupo ou área geográfica deve tornar-se lugar e promoção formativa, numa actualização contínua com um olhar atento às realidades concretas onde se vive. Conhecer o caminho da Igreja local e colher os âmbitos formativos adaptados também para nós, em caminho com o povo de Deus no qual estamos. Manter-se actualizados nos acontecimentos socio-políticos do terreno, mas também com um olhar mundial. Educarmo-nos para uma leitura “crítica” do que os mass-media nos propõem. Sentir os destinos do mundo como se fossem os nossos.

Condivisão/Partilha
A condivisão/partilha é a consequência do que dissemos até agora. A própria palavra tem um significado forte dividir-com: pôr sobre a mesma mesa, nada me pertence de forma definitiva…É o pôr em conjunto os dons, e não apenas os materiais, mas sobretudo o que é vida e experiência. Lembremo-nos que se aquilo que recebemos da Providência a escondemos na dispensa, estraga-se. Tudo nos é dado para benefício de todos. “O irmão ajudado pelo irmão é como uma cidade inexpugnável” (Pro. 18,19). Há um outro aspecto em que nos devemos educar para partilhar e é a escuta. Uma escuta atenta e respeitadora.
Recolhendo algumas sugestões que nos chegaram dos grupos podemos fazer-nos reciprocamente algumas indicações:
• Dar sempre o primado a Deus;
• Crescer e educarmo-nos para uma sólida interioridade, que fortaleça as nossas opções fundamentais;
• Deixarmo-nos interpelar pela Palavra;
• Atenção aos acontecimentos sociais;
• Não se deixar tomar pelo desencorajamento;
• Todas somos protagonistas e chamadas a construir a história;
• Redescobrir a fecundidade que temos ainda em nós.

Pensamos que o trabalho que se está a iniciar para a revisão do Estatuto pode ser vivido nesta perspectiva e ser um meio importante para adquirir o “NÓS” CM.


2- “NÓS” CM FACE AO HOJE DO MUNDO
Estamos diante de um mundo complexo, que muda a um ritmo muito acelerado, a um mundo globalizado e diversificado ao mesmo tempo; um mundo atravessado por fracturas muito profundas. Este mundo ora nos perturba ora nos apaixona. E sempre nos desafia

Se paramos um pouco, podemos dar-nos conta que não estamos assim tão desprovidos como, por vezes, nos parece face a esta situação do nosso mundo e da sua/as cultura/as.

Não somos nós herdeiras, já como baptizadas e depois como consagradas na secularidade, de uma espiritualidade marcada fortemente pelo mistério da incarnação? E a fidelidade à incarnação não nos leva a amar com paixão este mundo, a semear nos seus sulcos, a viver, com naturalidade e simplicidade, dimensões de escondimento, de ferialidade, de fidelidade ao quotidiano, de imersão nos movimentos que se estão a formar e que nos podem transportar, juntamente com os nossos irmãos e irmãs, para novas praias e para novos horizontes? Não faz parte desta espiritualidade da incarnação o saber «habitar estavelmente a complexidade», sem se perder, tendo connosco a riqueza da Palavra – luz para os nossos passos; a força dos sacramentos e da oração – água viva para o nosso caminho; a “doçura” da nossa fraternidade/sonoridade – orvalho nos momentos de amargura e de cansaço; a mais-valia do nosso ser corpo –com a Igreja e com a CM – este “nós” que queremos redescobrir e valorizar e que pode reforçar o nosso sentido de identidade e a nossa coesão, dando-nos asas para continuar a caminhar com este mundo e no meio dele, para o impelir para que seja capaz de propor ainda “sonhos” e metas grandes?

Além disso, temos nas nossas mãos o dom da nossa vida consagrada que, por si só, é um poderoso, embora discreto, sinal profético. Certamente necessitamos de nos apropriar mais e com maior consciência da força deste nosso ser consagradas com toda a sua carga escatológica. “Mas como vivemos a nossa consagração?”- perguntava-se um grupo. Com que rigor e com que qualidade evangélica? – acrescentamos nós. É bom não esquecer estas perguntas e que as levemos na nossa procura pessoal, sobretudo que as tornemos a levar para aquele lugar sagrado do confronto com a responsável e com o grupo.

A abertura fundamental e positiva face ao mundo, sabemo-lo, não nos dispensa de exercitar cada dia, em qualquer circunstância, um verdadeiro e sapiente discernimento.

O que quer dizer para nós, hoje e em qualquer lugar onde nos encontramos, o mandato do nosso Estatuto para evangelizar e nos comprometermos com a promoção humana? (cf. Est. nº12). Quais são as coisas novas que nos interpelam – pessoalmente, mas sobretudo como “Nós” CM? Se os sinais dos tempos emergem sempre nos ambientes de fronteira da vida e da história é importante que nos perguntemos onde estamos nós? Que fronteiras habitamos? Que atenção estamos a dar ao que se está a elaborar nestas fronteiras?

Pensemos que a CONSULTA DE 2009 deverá ser espaço de partilha do que os grupos elaboraram em relação a isso. A partir da realidade concreta de cada grupo e da sua vivência perguntemo-nos: que nos está a pedir o Senhor a nós grupo, a nós CM neste preciso momento histórico e eclesial. No fim do ano 2008 será enviado a cada grupo o tema mais preciso e o texto que iniciará esta procura, mas antecipamos desde já a temática geral para que se possa identificar o percurso que nos espera.

Queremos deter-nos um pouco sobre um outro aspecto que extraímos das respostas dos grupos quase de um modo coral: a animação vocacional. Sentimo-la verdadeiramente uma questão vital. Queremos enquadrá-la num âmbito mais amplo que chamaremos a escolha dos jovens como lugar da nossa missão. Também neste caso para um serviço não só à CM, mas à Igreja e ao mundo. Pensamos não forçar a metáfora dizendo que eles são mesmo uma das fronteiras onde somos chamadas a habitar. Ao menos algumas de nós, de modo preferencial e estavelmente.

É intenção do Conselho fazer esta escolha para os próximos anos. Fazemo-la com inquietação – porque também este é um mundo novo, um espaço cultural bastante desconhecido para muitas de nós e não fácil – mas também movidas por muita esperança. Desta esperança que é um dom de Deus e cuja sede advertimos nas pessoas - até nos jovens – que nos rodeiam. “Despertar a fé e a esperança nos corações é o primeiro serviço a favor dos outros para ajudá-los a libertarem-se da pobreza maior que é prescindir de Deus” – dizia um grupo. Queremos pois “tornar a mergulhar” neste “planeta” juvenil com audácia, competência e criatividade. Certamente devemos crescer em todos estes âmbitos e sobretudo no da competência – devemos enfrentar uma cultura, linguagens que existem lá, por vezes, um pouco desconhecidas e que exigem mediações nas quais nem sempre somos muito competentes. Podemos juntar à nossa preparação para entrar no mundo juvenil o da competência (ou não competência) no mundo da comunicação. A primeira não poderá prescindir da segunda.

Veremos em seguida quais as iniciativas que, como Instituto, podemos realizar para nos apetrecharmos melhor nesta específica missão. Mas todos os grupos e as Coordenações são, neste momento, convidados a concretizar, na sua programação, esta prioridade.
Parece-nos que todo o trabalho, as iniciativas, a conversão a esta prioridade, os resultados conseguidos podem tornar-se património comum de “NÓS” CM na Consulta de 2011.

3 – COM UM NOVO E CRIATIVO IMPULSO
Parece-me notar, entre nós CM, o desejo de uma dinâmica mais criativa e mais ligeira. Também entre nós acontece frequentemente encontrar rostos e corações carregados por um compromisso, por preocupações variadas, por uma subtil falta de confiança no futuro. Ora bem, tudo isto não se vence apenas com a força da vontade, com compromissos que se juntam aos muitos que já nos carregam. Parece-nos que somente um estilo de vida contemplativo da existência pode restituir ao espírito e à acção a sua ligeireza, sem tirar ao primeiro o sentido da responsabilidade e à segunda a sua eficácia. Antes de um trabalho cansativo ou de uma tarefa para remir a vida cristã e a evangelização que dela resulta está a participação no ritmo secreto da dança da sapiência/sabedoria.
Na fragmentação e na sobreposição dos nossos compromissos – também os relacionados com a CM – na frenética sucessão das situações, dos rostos, das histórias que tecem as nossas vidas, na sensação de desorientação e de cansaço que, por vezes, nos pode agarrar – podemos ouvir dirigidas a nós hoje as palavras de Jesus: «Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração» (Mt.11,28-30). Se muitos cristãos viveram sem que fosse um fardo a ascese, o cansaço, as perseguições, isto foi porque no centro da sua vocação estava esta promessa de ligeireza.

Sabemos que há uma ligeireza cujo preço é o vazio; mas nós queremos a ligeireza do amor, aquela que sabe “tomar a cargo” e sabe conviver com os fios variados que tecem uma vida verdadeiramente humana. Esta ligeireza não se conquista somente com as forças humanas; mas pode preparar o coração para recebê-las e pedi-la, como um dom d’Aquele que prometeu voltar um dia sobre as nuvens do céu (Mt. 26,64) para levar todos para o seu Reino, através de uma mística e harmoniosa dança cósmica.

Actuar a ligeireza desta dança não pode ser apenas um convite dirigido ao Conselho; deve ser também sentido por cada membro da nossa família, de cada grupo e do “NÓS” CM que queremos tornar-nos com mais consciência e mais convicção. Cremos que esta é uma perspectiva, um horizonte que pode ter consequências positivas, quer no interior do nosso Instituto, quer na nossa relação com o mundo.

Recolhemos uma vez mais uma série de expressões vindas dos grupos e que entregamos de novo a todas:

• Voltar a tecer relações revitalizadoras entre nós
• Ousar com audácia
• Um novo vigor
• Inventar espaços para estar juntos
• Renovar e inventar dinâmicas vitais
• Criar lugares concretos de encontro

Também isto pode afinar o estilo com o qual queremos propor-nos ao mundo e que nos pode tornar proféticas, não de um profetismo clamoroso e extraordinário mas vivido na vulgaridade dos nossos dias e das nossas mil ocupações quotidianas com a atitude de escuta, da disponibilidade, do respeito, sendo sempre com todos e em qualquer lugar ponto de encontro e força unitiva (cf. Est. nº8).

Deixamos a cada grupo e a cada área geográfica a liberdade e a criatividade de dar corpo a este impulso. Mas queremos dar duas ou três indicações que nos podem ajudar a convergir como “NÓS” CM e a criar uma verdadeira tradição familiar. Queremos que o dia do 25 de Março – Solenidade da Anunciação do Senhor e a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus se tornassem verdadeiramente festa de Família.

Sabemos que a nossa realidade nem sempre nos permite celebrar estas festas no seu dia próprio. Escolhamos, para tal, um dia o mais próximo possível e vivamos juntos estes momentos de festa. Estamos ainda num momento de abertura aos amigos que estão a crescer à volta da CM e de proposta a outros da riqueza da nossa espiritualidade e da nossa história. O nosso desejo é que houvesse uma salutar emulação entre todos os grupos para ver quem é capaz de pôr em prática a festa mais bela, mais criativa, mais densa de significado, mais aberta às novas linguagens, mais inculturada.

Propomos também a cada grupo – ao menos uma vez por ano – que realize uma iniciativa de carácter vocacional: um dia de reflexão, um retiro, uma peregrinação, uma festa…? A forma, deixamo-la, mais uma vez, à criatividade e à audácia dos grupos.

O que nos parece importante é que estes três momentos:
• 25 de Março
• S. Coração de Jesus
• Jornada Vocacional
se tornem uma tradição viva e vivificante no corpo do nosso Instituto.

Foi afirmada durante a Assembleia a importância de uma dupla fidelidade: ao passado e ao futuro. Cremos que o que estamos a propor seja uma resposta a esta dupla fidelidade. Temos nas nossas mãos uma riqueza enorme: a recente celebração do 50º aniversário CM mostrou-o com evidência. Somos chamadas não apenas a guardar esta riqueza mas fazê-la crescer e a confiá-la a outras mãos. Certamente já o estamos a fazer, mas talvez se possa pôr um pouco mais de entusiasmo, de generosidade e de criatividade.

No salmo 85 (v. 13b) encontramos um belo auspício que diz assim: «A nossa terra dará o seu fruto». Um grupo termina o seu trabalho precisamente com este auspício. Nós parafraseamo-lo, dizendo:

“A Companhia Missionária dará o seu fruto”.

Preparemo-nos, com humilde esperança, para esta colheita.

O olhar materno de Maria, nossa Mãe, Guia e Custódia nos acompanhe!

O Coração de Cristo, fonte de esperança, nos abençoe!

Em comunhão

A Presidente e o seu Conselho


Bolonha, 6 de Agosto de 2008
Festa da Transfiguração do Senhor




ACONTECIMENTOS DESTE SEXÉNIO:
2009 Julho Consulta das Responsáveis de Grupo;
2010 Janeiro Assembleia Ordinária (electiva) dos Familiares;
2010 (data de definir) Encontro das Responsáveis de Formação;
2011 Julho Consulta das Responsáveis de Grupo;
2013 Julho VIII Assembleia Geral Ordinária

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